Covid escolas

Número de escolas com Covid-19 é o triplo das que a FENPROF confirmara
Mais de metade das escolas públicas registaram casos, o que foi encoberto durante mais de três meses

Foram três meses a encobrir, sem razão que o justificasse, o que se passava nas escolas, mas, na sequência de sentença proferida pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, o Ministério da Educação fez chegar a informação à FENPROF.

De acordo com as informações que a FENPROF tinha podido recolher, face ao blackout promovido pelo Ministério, estavam confirmadas situações de infeção em 1071 escolas (926 básicas e secundárias públicas do continente, 49 privadas, 20 do ensino superior, 51 da RA Madeira e 25 RA Açores). Pelos dados agora recebidos do Ministério da Educação verifica-se que esse número ascende, afinal, a 2933, referindo-se, apenas, a escolas públicas do continente e sem incluir o ensino superior.

Se tivermos em conta o último número de escolas divulgado pela DGEEC/ME, o total de estabelecimentos públicos do continente é 5568, o que significa que houve casos de infeção em mais de metade deles.

O número agora conhecido indicia que o de surtos foi bem superior a apenas algumas dezenas, como foi repetido pela Direção-Geral da Saúde, embora este último número não possa ser confirmado pela lista recebida, pois não refere, como se solicitou, quantos casos houve por escola. Demonstra-se, no entanto, pelo elevado número de escolas, que a pandemia não lhes passou ao lado, ao contrário do que foi o discurso oficial, meses a fio, e que o seu funcionamento foi um importante fator de propagação, o que vários estudos já indiciavam e também parece confirmar-se, agora, pela redução do número de novos contágios após o seu encerramento. 

Juntamente com a lista de escolas solicitada, foi recebida informação sobre o plano de contingência aprovado em cada uma delas. Não era, porém, essa a informação pretendida, pois a FENPROF não duvidava que as escolas tinham planos de contingência para a grave situação epidemiológica que se vive. O que a FENPROF pretendia conhecer eram os procedimentos concretos que tinham sido adotados na sequência da confirmação dos casos de Covid-19. Admite-se, contudo, que a informação seja da responsabilidade da autoridade de saúde e não do Ministério da Educação. 

Entende a FENPROF que esta informação é relevante, pois quando regressar o ensino presencial estaremos ainda longe de erradicar a pandemia, não podendo repetir-se o que aconteceu anteriormente: não haver um protocolo claro para as escolas, sendo adotados procedimentos completamente distintos de umas para outras, aparentemente ligeiros nuns casos e muito fortes em outros. Como tal, a Federação dirigiu-se à Senhora Ministra da Saúde solicitando a informação ainda em falta e que é crítica para a intervenção no domínio da segurança e saúde de quem está nas escolas. 

A lista de escolas que foi disponibilizada pelo Ministério da Educação está disponível no site da FENPROF para informação dos professores e educadores associados aos seus Sindicatos de Professores.

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