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Seminário: O Desgaste na Profissão Docente

Gestão das Escolas é grande responsável

Esta sessão, uma reedição, sempre com novas abordagens e novas leituras, designadamente a partir das intervenções dos participantes, ficou muito marcada pela ligação entre as leituras do estudo e e a realidade da acção dos professores no seu combate contra o desgaste e a falta de condições de trabalho.

Mário Nogueira 1 | Mário Nogueira 2 | Roberto della Santa

Com uma assistência assinalável, cerca de 200 participações, realizou-se no sábado, 2 de Março, o Seminário “Desgaste na Profissão Docente”, com um painel formado por Raquel Varela, Roberto della Santa e Mário Nogueira.

Breve retrato do relatório não esgota, ainda, a análise dos mais de 2 milhoes de dados que permite obter:

  1. Das 158 perguntas que o questionário continha, apenas as 22 primeiras se relacionam com a percepção de burnout na profissão docente permitem medir os níveis existentes;
  2. As restantes vão mais fundo no conhecimento das condições de trabalho, dos problemas que são sentidos pelos docentes e permitem percepcionar as principais causas de desgaste, desmotivação e desgosto com a profissão
  3. Existe uma alta relação da situação em que os docentes se encontram e a burocracia, a gestão das escolas que não é democrática, baixos salários, inexistência de incentivos profissionais através da progressão na carreira, as más condições de trabalho, os horários de trabalho.

No caso português é relevante que:

  1. 68% dos docentes apresentem exaustão emocional;
  2. Mais de 50% não se sintam realizados profissionalmente;
  3. No entanto, apenas 10% sofrem de um processo de despersonalização, ou seja, apenas 10% coisifica o objecto do seu trabalho, os alunos. Seria de esperar muito mais.

Outro dado importante que não pode ser menosprezado é que o sistema educativo, em 10 anos poderá entrar em colapso, por falta de professores, por desinteresse pela escola, por inadaptação da escola a anseios dos seus trabalhadores e alunos. Um dos aspectos que é necessário mudar é o regime de gestão que é apresentado neste estudo como uma das principais causas de exaustão emocional. A hierarquização não democrática da escola é determinante em todo este processo.

De considerar, ainda, referiu, nesta análise, a investigadora Raquel Varela, a existência de um controlo sobre a profissão que não podendo ser dentro da sala de aula, vem de fora, de fora do sistema e incide sobre as práticas e autonomia pedagógica e científica do professor – a avaliação externa, claro, os exames (trata-se de um dos processos que mais conduzem ao burnout.

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