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LUTAR PARA RESOLVER PROBLEMAS

Mário Nogueira, Coordenação do SPRC, Secretário-Geral da FENPROF 

Um dia, ainda ministra, Lurdes Rodrigues afirmou não imaginar uma sociedade sem sindicatos, mas não destes… referia-se, em particular, à FENPROF e aos seus sindicatos, pois seriam demasiado combativos para o seu gosto.

No plano sindical, encontramos de tudo: os que abominam a luta e se desdobram pelos corredores do poder, os que defendem a luta pela luta, sendo ela o seu objetivo, e, até, aqueles que lutam em função da cor do poder político.

Para a FENPROF, negociação e luta só fazem sentido se associadas. A luta potencializa a negociação e esta será mais favorável aos trabalhadores se, com a sua luta, eles derem mais força aos seus sindicatos. Em suma, a luta é indispensável em qualquer processo negocial: os sindicatos precisam desse apoio e o governo precisa dessa pressão.

No processo da recuperação do tempo de serviço, uma vez mais, tem sido notória a importância de uma luta em que o protesto foi sempre acompanhado de proposta e exigência, daí, no continente, onde o governo ainda não aceitou recuperar integralmente o tempo cumprido, também não conseguiu impor a sua solução.

Porém, os objetivos de luta dos professores não se esgotam na justíssima recuperação do seu tempo de trabalho. Outros há, com destaque para a necessidade de contrariar o envelhecimento de uma profissão que, não tarda, não tem um único jovem a procurar. Rejuvenescer a profissão docente passa, inevitavelmente, pela aposentação dos que estão na profissão há mais tempo e por lhe conferir atratividade.

Também o combate aos abusos e ilegalidades que se abatem sobre os horários de trabalho dos professores está no topo da agenda reivindicativa. A tutela conhece-os, a ponto de o Ministério da Educação ter sido obrigado a informar as escolas que a greve a reuniões não previstas no horário de trabalho não dá lugar a desconto no salário. Se a tutela reconhece o abuso e não o resolve, aos professores compete continuar a lutar, fazendo greve às reuniões ou outras atividades que correspondam a “sobretrabalho”. Defender o horário de trabalho é combater um dos fatores de maior desgaste dos professores.

O combate à precariedade é outra das frentes de luta que os professores não podem descurar, pois o trabalho com direitos é, desde logo, um direito e reflete-se no desempenho profissional.

Chegados à reta final dos mandatos governativos na República e na Região Autónoma da Madeira, verificamos que os governos chegam aqui transformados em autênticos cometas que arrastam uma cauda de problemas não resolvidos. Talvez a principal diferença resida no facto de o governo da República achar que fazer guerra aos professores lhe dá votos, esquecendo lições que ainda não são assim tão distantes.

Neste ano que é de eleições, aos professores compete continuar a exigir soluções para os problemas. Pela via negocial, sim, mas com a certeza de que para o resultado final será determinante a sua capacidade de luta.

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