As notícias divulgadas na comunicação social enganaram os portugueses ao afirmar, com base no que é dito no relatório, que os professores em Portugal ganham muito e trabalham pouco. Como a FENPROF demonstrou, os dados sobre Portugal são falsos, o que levou a que tivessem sido pedidas explicações a Andreas Schleicher, diretor da OCDE para a Educação, para saber como foram obtidos. Ainda não foi recebida resposta, embora, em esclarecimento enviado a órgão de comunicação social pelo gabinete daquele diretor seja dito que tais dados são fornecidos pelo Ministério da Educação e por um instituto de estatística nacional que não é identificado (o INE? a direção-geral de estatísticas da educação e ciência?). 

Face às dúvidas que surgiram, o melhor desmentido do governo sobre um eventual envolvimento nas mentiras sobre os professores, teria sido a divulgação de um esclarecimento que desse nota da falsidade dos números que estavam a ser divulgados, tanto em relação aos salários, como aos horários. Contudo, não o fez e as declarações do Primeiro-Ministro a este propósito foram no sentido de legitimar a mentira, ao considerar que se estava perante uma notícia positiva (?). Com tal declaração, António Costa veio dar cobertura a uma notícia falsa, o que é reprovável. Pretenderá com isto legitimar o roubo de tempo de serviço prestado pelos docentes?

Vieram, entretanto, a público responsabilidades do Secretário de Estado da Educação na OCDE, organização citada nas mentiras divulgadas. João Costa preside a um órgão (TALIS) que, segundo esclarecimento que o próprio emitiu, não foi o que fez o relatório sobre salários e horários, sendo que, no esclarecimento, prestado nada quis dizer para repor a verdade acerca da situação real dos professores e educadores em Portugal.

Como diz o povo, à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer séria… E a questão é que, nesta história, falta provar se ela ilude ou, pelo contrário, denuncia. Como falta, a quem foi tão lesto a desmentir uma notícia sobre si próprio, desmentir os números da OCDE sobre cerca de 140.000 profissionais que exigem ser tratados com respeito e com justiça, o que tem de começar pelos responsáveis da tutela. Ou o presidente do TALIS sobrepõe a sua solidariedade com a OCDE à que deve aos professores portugueses e, já agora, à defesa da verdade?

No contexto do conflito que o governo provocou com os docentes, tudo indica, a verdade tornou-se questão secundária para os governantes.

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