A propósito do 'Arrogante Varoufakis'

Como é sabido, Portugal viveu dominado pela ditadura fascista, o que leva alguns analistas da mentalidade portuguesa a explicar assim o seu conformismo, a sua passividade. Será correcta esta análise? Talvez um pouco, mas não totalmente.

Por um lado, o pensamento e a atitude conformistas, passivos talvez tenha sido tão fortemente inculcado na "alma portuguesa" que foi passando de geração em geração e leva a maioria do povo português à passividade, ao conformismo, ao "Podia ser pior.", ao "Tem que ser." e, até, à raiva disfarçada de superioridade intelectual em relação àqueles que lutam contra a exploração e a injustiça capitalistas.

Por outro, vêm os Aparelhos ideológicos de Estado, dos quais sobressaem os "Mass media", entre os quais, a imprensa que tanto se afastou das suas origens revolucionárias. Entre tantos outros, o "Público" cumpre a sua função de manipulador, de "fazedor" da opinião pública. Assim se percebe o infeliz, para não dizer insultuoso, adjetivo "arrogante" classificador de Varoufakis. Arrogante? Porque não se curva? Porque luta pelo seu povo e pelo seu país? Porque não é subserviente como os elementos dos governos de outros países, NOMEADAMENTE, DO NOSSO? São arrogantes os lutadores e "meninos bem educados" os outros, os que, com um ar mais ou menos compungido, assistem à asfixia do povo que "governam", do país que destroem a mando do Capitalismo financeiro? Onde é que está, afinal, o "pensamento único"? Onde é que está a manipulação? Onde é que está a liberdade de pensamento?

O ser humano deixou, há muitos séculos, desde o "Homo erectus", de andar curvado e o mundo há-de evoluir com "arrogantes" como Varoufakis e com outros, mais arrogantes ainda.

 

Coimbra, Emília Sá, professora do Ensino Secundário.

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