Já lá vão quatro anos de calúnias, injúrias, mentiras e toda a lista de adjectivos que o governo de Sócrates, Maria de Lurdes, valteres e pedreiras, mais aquela do Norte e outros directores regionais utilizaram para insultar e tentar virar essa instituição indefinida que dá pelo nome de “Opinião Pública” contra os professores.

Quatro anos de política suja que levou através de grosseiras ilegalidades, algumas corrigidas na justiça, a horários de trabalho inconcebíveis, à burocratização das tarefas quotidianas, a um mau estar insustentável; sobretudo o roubo descarado de dois anos e meio de tempo de serviço que, com a imposição de um Estatuto da Carreira Docente, provocando a famigerada divisão artificial dos professores, agravou de tal forma a situação da maioria dos docentes que provavelmente não será exagero considerá-lo o roubo do século.

Com o E.C.D. veio o inconcebível modelo de avaliação burocrático, persecutório, castigador e castrador, só com o sentido de poupar milhões de euros à custa da dedicação e do trabalho de toda a classe docente e que se transformou, provavelmente, no motivo mais visível da onda de indignação e contestação como não há memória. Em contra partida os grandes escândalos financeiros são suportados pelo estado, os casos de corrupção, todos com nomes pomposos dignos de qualquer livro policial de cordel, arrastam-se nas intermináveis investigações que na maioria das vezes nem chegam a julgamento e quando chegam ninguém é punido. Qualquer dia ainda serão condecorados pela dedicação e amor à pátria.

Vinte cinco mil no arranque, cem mil a seguir, depois cento e vinte mil, oitenta mil em final de ano lectivo, fora os que não foram na primeira e foram na segunda, os que não foram na segunda e foram na terceira mas já não puderam ir na quarta e aqueles que nunca foram, por motivos inevitáveis de vida pessoal, e gostariam de ter ido. Num universo de cento e quarenta mil professores poderemos afirmar que foram todos menos a ministra, os secretários de estado, os directores regionais e seus acólitos. Sim porque até directores de agrupamentos de escolas e futuros lá estiveram.

O ministério de Maria de Lurdes continuou a impor, qual ditadora de meia tigela, sem qualquer diálogo e muito menos negociação, as suas medidas o que provocou como consequência imediata o suicídio profissional de milhares de docentes competentes que preferiram a aposentação penalizada ao ultraje.

Não se pense, contudo, que, de tão grande manifestação de afirmação e vontade em torno da defesa de direitos e sobretudo da Escola Pública, só restou a indiferença e a teimosia arrogante do poder de Sócrates. Revivamos o período eleitoral e atentemos no ar de Madalena arrependida e cara mal amanhada do menino da lágrima ao canto do olho com que Sócrates pateticamente admitiu alguns erros cometidos, prometendo mais delicadeza no tratamento aos professores. Não são mimos o que queremos. Exijamos que os compromissos assumidos por todos os outros partidos, esperemos que seriamente, sejam cumpridos para que a arrogância ditatorial da maioria absoluta inexistente se esfrangalhe em pedaços.

Era com alguma expectativa que se aguardava a formação deste governo agora minoritário e das suas intenções expressas em programa face à educação. Se algumas esperanças havia quanto aos apelos e às promessas de diálogo elas caíram por terra, com as palavras do recem-promovido ministro Lacão.

É um espanto que depois de todos estes anos de imposições, não vale a pena estar a repetir o resto, este novel ministro venha dizer que diálogo sim, mas que fica tudo na mesma, que a política de educação do governo anterior é para continuar, que os sindicatos e os partidos da oposição têm que assumir as suas responsabilidades.

É preciso descaramento, descontracção e estupidez natural.

Esquece o ministro Lacão, fico sempre na dúvida se não teriam trocado o i por um til, que não tem maioria absoluta e que os outros partidos também têm compromissos. Esquece o ministro Lacão que os sindicatos não são meros conjuntos de dirigentes excursionistas, mas sim representantes da esmagadora maioria dos professores. Esquece o ministro Lacão que os professores não restam. Os professores estão.

Numa coisa estamos de acordo. Os sindicatos têm que assumir as suas responsabilidades e vão assumi-las, principalmente a Fenprof, na defesa intransigente dos direitos dos docentes e de uma Escola Pública de qualidade.

O tempo continua de luta não mais de esperar para ver o que está à vista. Não podemos deixar que nos tratem como imbecis; o caminho percorrido em unidade demonstra que vale a pena.

Zé Neves  
Novembro 2009

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